Com Amor, Van Gogh: nossa aposta para o Oscar 2018


Foto tirada em 5 de dezembro de 2014 em um estúdio na Polônia mostra a artista Joanna Maleszyk segurando reproduções de quadros de Vincent van Gogh usadas no filme ‘Com amor, Van Gogh’ (Foto: Piotr Wittman/AFP)

“Não podemos falar senão por meio das nossas pinturas”. A frase eternizada em um dos últimos textos do pintor Vincent van Gogh (1853-1890) foi inspiração levada ao pé da letra pela polonesa Dorota Kobiela, que leu as mais 800 cartas escritas por ele.

A animação “Com amor, Van Gogh” é o primeiro longa-metragem feito inteiramente com pintura a óleo e que retrata em 65 mil quadros a história do famoso artista através de uma investigação sobre sua morte. A obra idealizada por Kobiela e Hugh Welchman foi indicada ao Oscar de Melhor Filme de Animação na 90ª edição da maior cerimônia de cinema mundial e que acontece hoje (04/03/2018). Sua originalidade fortalece o filme como grande concorrente frente a obras de animação de grande orçamento, como Viva: A Vida é uma Festa.

O filme conta a vida e a controversa morte de Van Gogh por meio de entrevistas com personagens próximos ao artista e que foram retratadas em suas obras.

Foram necessários 125 profissionais para pintar esta história manualmente. Primeiro, foi realizada uma gravação com atores, como Douglas Booth e Saorise Ronan. Depois, cada “frame” do vídeo recebeu uma pintura a óleo, ao estilo de Vincent. 

A criação do filme exigiu um minucioso processo de seleção de pintores. Piotr Dominak, responsável pelas pinturas no longa, analisou mais de 5.000 portfolios. Somente 130 candidatos foram chamados para fazer cursos intensivos sobre a técnica de pintura de Van Gogh e sobre animação. Nessa etapa, outros cinco profissionais não foram recrutados para equipe que participou do trabalho final.

O grande desafio, para Kobiela, foi manter mais de cem pintores no mesmo caminho para que seguissem um estilo único, e não o deles. Em declaração para a Folha, a artista comentou que teve que corrigir mais de 500 quadros por dia.

Somente para um segundo de filme era preciso 12 quadros em média, todos pintados à mão, um após o outro. Um artista faz seis pinturas em média por dia, ou seja, meio segundo do filme para as cenas simples.


Foto tirada em 5 de dezembro de 2014 mostra Danuta Roman recriando uma pintura de Vincent van Gogh para o filme ‘Com amor, Van Gogh’, indicado ao Oscar de melhor animação (Foto: Piotr Wittman/AFP)

A trajetória de Vincent na França
Na trama, baseada em um roteiro original do escritor polonês Jacek Dehen, o jovem Armand Roulin (Douglas Booth) é o filho de um amigo do pintor, que investiga sua misteriosa morte, interrogando todas as pessoas com quem Van Gogh teve contato desde sua chegada em Paris. E assim, através de flashbacks de uma investigação policial – não por menos o personagem viria a se tornar um agente da lei – se desenrola esta incomum biografia sobre o famoso artista. Outro aspecto bem interessante do longa é que o homenageado surge como personagem coadjuvante de seu próprio filme, sendo apenas o motivador desta narrativa.

https://www.youtube.com/watch?v=0IvlYHSXg24

É lindo ver a Paris e a Provance da época de Vicent quase que “pelos seus olhos” nessa animação adulta, impecável nos detalhes e com roteiro sensível. Estamos torcendo muito para que “Com amor, Van Gogh” leve a estatueta. 

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